domingo, 13 de fevereiro de 2011

Dias de Verão

Devia ser esse calor que deixava tudo ao contrario, não dormíamos a noite, não comíamos no almoço, não tínhamos vontade de sair... e também não entendíamos o porque de tudo aquilo.
Devia ser o mesmo calor que nos fazia alcoólatras, bêbados aquele calor nos parecia ameno, besteira nossa porque nosso organismo nos encarregaria de expressar na pele o quanto havia sido castigado após o porre.
No calor tudo parece um pouco mais complexo do que realmente é, a cabeça parece que não entende por pirraça única e exclusivamente, rezávamos para que coisas banais jamais acontecessem conosco debaixo daquele sol infernal, porque não imaginava nada pior do que um pneu furado as 14hrs de uma segunda feira as margens de uma rodovia movimentada, sempre ficava imaginando quantos litros suaria até terminar o serviço.
Aqueles dias começavam indigestos, não desciam, não passavam nunca e faziam todos sentirem mais raiva por estarem vivos. Eu tinha vontade de boiar em algum lago com pausas apenas para goles de cerveja, até que minha pele virasse uma casca ou que eu sucumbisse de vez por ter desenvolvido câncer de pele.
Era um verão perdido, nada de importante aconteceu até ali e eu agradecia isso as vezes, pelo menos não estava pior do que estava quando comecei a sentir aquela vontade de sair de mim ocasionada pelo calor.
Eu passei a assistir e ouvir mais do que antes, preferia permanecer de boca fechada a espera de me falassem coisas agradáveis e acabei criando mais uma convicção forte da vida, essas convicções vinham pra mim como uma bonificação por ter subido um nível na vida ao longo do tempo em que fui envelhecendo. Nessa nova convicção eu pensava que nenhum dos filmes que víamos no cinema deveriam ter final feliz, porque naquela vida ali que eu vivia, e sofria com o calor, as coisas não funcionavam assim e nem de longe. Certamente se você se deparasse com sua conta bancaria negativa podendo sacar apenas 2,00 reais e usasse esse valor pra fazer um jogo de mega-sena, o máximo que iria acontecer é você ficar sem seus dois reais e com uma cara de merda.
Mas no momento era o que tínhamos, nos mesmos, cervejas, cigarros e uma puta vontade de explodir a cabeça de qualquer pessoa que vira falar conosco.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Já se Sentiu PUTO?!

Atrás de um volante um covarde tornou-se um gladiador, perante os seus olhos nenhum obstáculo perpetuaria. Não! Não enquanto o desafiado da vez for eu.
Enfurecido pelos desencontros proporcionados pela má intenção alheia, seus pensamentos passavam do vermelho ao negro e vice-versa, afinal quem que ousara subtrair de mim o orgulho?
Não me dobraria a ninguém ao menos que a situação fosse calamitosa, e tudo isso nem ao menos existia ontem, como poderia eu estar largado ao chão simplesmente por não entender a ordem dos fatores e suas as conseqüências...
Foi um curto nas relações neuro-sensoriais, nada me passava desapercebido mas tudo que eu vera não cabia dentro da minha compreensão. Por hora sem rumo, sem raça, sem cor.. apenas obedecendo o estimulo de respirar para não padecer ali, com a minha raiva.
É triste e desesperador dizer, mas não há sensação mais extrema do que aquela que não se pode conter.. quando isso trata de você mesmo.
A musica alta, me levando a movimentos que em contradição aos meus olhos eu acabava cometento de forma desapercebida, o vento intenso que passava por aquela janela aberta, ocasionado pelo imenso pedaço de metal sobre rodas que cortava a rodovia na casa dos 100 km/h e o sábio tempo foram me devolvendo a mim mesmo, me assentando dentro do corpo que fora encarnado, e em alguns minutos Deus me devolveu a habilidade de falar e a necessidade de beber.
Não tem nada nesse lugar que valha uma lágrima, talvez por isso tenha apenas um orgulho quando me lembro daqueles momentos, porque desses olhos não sairam umas lagrima sequer.