Um homem não se conhece, não sabe sobre quais seus reais princípios e objetivos, o homem não pode manter sua própria felicidade ou ao menos sua sobriedade em relação a tudo.
Homens são seres destorcidos psicologicamente, substituem seus valores por sua imagem, seu ego por sua fama, sua dor por sua reputação. Ostentam teorias suicidas, vendem seus sentimentos e usam substancias para fugirem de si mesmos.
Não são capazes de compartilhar da dor, reprimem suas fraquezas num esforço pra fazer-se acreditar que elas simplesmente não existem, se maquiam para não demonstrar a própria face, blindam seus carros para não morrerem da maldade imposta por mais homens, seus supostos irmãos.
Somos todos homens, vítimas acuadas de nos mesmos, morrendo pelas mesmas doenças, sofrendo do mesmo frio ou calor intenso. Sentindo a necessidade da não solidão, mesmo que a companhia nesse caso seja um litro de conhaque e um maço de cigarros.
Alguns desses homens se fazem notar a ponta pés e socos, agredindo a si mesmo num outro homem, outros impunham seus instrumentos e deixam a alma falar diretamente com quem pode os ouvir, alguns transmitem por meio de cores e formas seus sentimentos tão intensos e transparentes quanto os nossos, os mesmos sentimentos que preferimos morrer a revelá-los.
Existem homens dispostos a renegar ao cargo de ser homem num absoluto ato de desespero e medo, existem homens que por meio de uma cédula de papel acreditam serem mais que homens, existem homens na lua e homens querendo transformar órgãos biológicos em máquinas para evitar o mesmo que os homens em desespero buscam.
Existem homens mentindo para outros homens, existem homens seqüestrando outros homens... Existem homens dançando, dancem homens, dancem.
segunda-feira, 21 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
Ainda sobre o Desespero
... falavam de forma frenética, de tudo e todos, traçando uma batalha contra os espaços em branco de um texto em seu desfeche para um grande final ainda não escrito.
Era visível a necessidade de contato estampada no rosto de todos, que não usavam a fala como um exercício para o raciocínio, nenhum deles parecia estar ali de fato, fazendo assim da palavra algo mecânico, e desprezível também de fato.
Entediava-me a idéia de contribuir para aquele pomar de idéias não frutíferas, era tanto desperdício de tempo que tudo aquilo se apresentava como uma chacina do potencial humano. Todos com tão boas soluções, todos com sorrisos tão confiantes que pareciam senhores de 100 anos, todos fumantes fudidos que quando bem estabilizados socialmente os eram 90% por conseqüência do trabalho de outra geração.
Ha tempos vinha me agradando a idéia do silencio, do escuro e simples, eu tinha perdido a oportunidade das drogas como solução, já achava que estava velho pra isso, precisava de novos meios pra me aturar. Só contato não me satisfazia quando o que eu procurava era vida. Não via maldade, alias, penso que a maldade estava na minha forma de ver os fatos se desenrolarem, mas também não via direção, vi pessoas falando dos presidentes federais, dos jogadores de futebol, dos músicos que se suicidaram, vi pessoas falando, vejo pessoas falando... elas falam até pelos cotovelos, falam incessantemente e intensamente, mas quando veria pessoas agindo?
Particularmente compartilhava de alguns aspectos similares com algumas pessoas, embora nunca ousara sequer mencionar minhas descobertas, mesmo porque elas não tardariam a cair em contradição, como sempre aconteceu anteriormente.
Eu simplesmente não conseguia entender como todos podiam ser tão felizes, como ignoravam seus problemas e viam única e exclusivamente as coisas boas da vida, também não sei se essas coisas eram assim tão boas. Não conseguia não tentar imaginar alguma coisa pra falar ao invés de simplesmente falar-la quando introduzido de surpresa em alguma conversa, nunca fui bom para montar situações com um desfeche que fosse favorável para mim . Talvez por medo houvesse o silencio como amparo, ele nunca me traia devido o fato que as caras de contrariados dos demais participantes da conversa já eram esperadas.
Talvez empenhasse muito sentimento a tudo, talvez gostasse de ser simplesmente o centro da atenção, ou o desfoque total e completo dela. O próximo não me satisfazia, necessitava do interior, e quando não, de extrema distancia. Talvez não tivesse realmente nascido pra viver com essas pessoas, essa sociedade, esses costumes, com isso.
Era visível a necessidade de contato estampada no rosto de todos, que não usavam a fala como um exercício para o raciocínio, nenhum deles parecia estar ali de fato, fazendo assim da palavra algo mecânico, e desprezível também de fato.
Entediava-me a idéia de contribuir para aquele pomar de idéias não frutíferas, era tanto desperdício de tempo que tudo aquilo se apresentava como uma chacina do potencial humano. Todos com tão boas soluções, todos com sorrisos tão confiantes que pareciam senhores de 100 anos, todos fumantes fudidos que quando bem estabilizados socialmente os eram 90% por conseqüência do trabalho de outra geração.
Ha tempos vinha me agradando a idéia do silencio, do escuro e simples, eu tinha perdido a oportunidade das drogas como solução, já achava que estava velho pra isso, precisava de novos meios pra me aturar. Só contato não me satisfazia quando o que eu procurava era vida. Não via maldade, alias, penso que a maldade estava na minha forma de ver os fatos se desenrolarem, mas também não via direção, vi pessoas falando dos presidentes federais, dos jogadores de futebol, dos músicos que se suicidaram, vi pessoas falando, vejo pessoas falando... elas falam até pelos cotovelos, falam incessantemente e intensamente, mas quando veria pessoas agindo?
Particularmente compartilhava de alguns aspectos similares com algumas pessoas, embora nunca ousara sequer mencionar minhas descobertas, mesmo porque elas não tardariam a cair em contradição, como sempre aconteceu anteriormente.
Eu simplesmente não conseguia entender como todos podiam ser tão felizes, como ignoravam seus problemas e viam única e exclusivamente as coisas boas da vida, também não sei se essas coisas eram assim tão boas. Não conseguia não tentar imaginar alguma coisa pra falar ao invés de simplesmente falar-la quando introduzido de surpresa em alguma conversa, nunca fui bom para montar situações com um desfeche que fosse favorável para mim . Talvez por medo houvesse o silencio como amparo, ele nunca me traia devido o fato que as caras de contrariados dos demais participantes da conversa já eram esperadas.
Talvez empenhasse muito sentimento a tudo, talvez gostasse de ser simplesmente o centro da atenção, ou o desfoque total e completo dela. O próximo não me satisfazia, necessitava do interior, e quando não, de extrema distancia. Talvez não tivesse realmente nascido pra viver com essas pessoas, essa sociedade, esses costumes, com isso.
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