As vezes repentino, voltava a tona as incertezas como num mergulho em aguas obscuras e desconhecidas. Como tinha que ser, as consequências e as coincidências nunca se mostravam favoráveis a uma reabilitação e tão pouco encontrava luz para guiar-me.
Olhava aos próximos fazendo descrições pejorativas dos pés a cabeça, não me abstendo do desapego e a completa falta de empatia, o negro obscuro e frio lado da mente humana.
Imaginava em mim um mártir, desprezando completamente que aqueles ao me redor poderiam estar sofrendo de dor, de magoas, de solidão. Me taxando incontestável meu umbigo parecia mais interessante que as cores da vida, vivia eu num eterno eu sem fim.
Voz tremula muitas vezes remetendo a um drama forçado, apego a verdades encostáveis e irracionais, como se a verdade devesse a mim satisfação. O universo deveria de alguma forma providenciar minha melhora, não eu, não com meus braços.
Desprazer, infelicidade, solidão, contradição, desorientação, insatisfação... tremendo sobre as pernas, confuso e convicto, contradito mas sempre linear. Tinha nisso algumas verdades imutáveis, era a fé de espirito sempre inexpressiva fisicamente e gigantescamente delimitadora psicologicamente.
Deveria ao menos me questionar quanto o fundamento em viver a vida focado no pós morte, o Deus do saber conduzindo ao desprazer.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
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