sábado, 29 de janeiro de 2011

Quem Iria te Contrariar?

Vislumbrar situações inesperadas, caindo de cabeça em um mundo completa e profundamente novo, sentindo-se azul em meio aos vermelhos e gaguejando nas palavras que pensara em dizer. Bem vindo ao novo lar de alguém que sentira em si um resquício daquele sentimento chamado desprezo, e quem lá iria te contrariar?
Tomado por um medo que não lhe faz correr, mas sim lhe dá coragem para golpear, aquele que veria por anos em seus pés descalços o motivo para atingir o céu!
Nos poucos recursos os paus para construir a canoa e em sua canoa ele encontraria então as Américas, tudo a partir disso seria felicidade incondicional, como aqueles dos filmes americanos de caráter duvidoso, e enfim, quem precisaria de um caráter se nascesse americano?
Em seu plano infalível não se via mínima Possibilidade de falha, o negro tão intenso que ao dito popular se diz azul, algo consistente e imponente, conduzido pela fé e pela violência e um animal não compreendido... até que então lhe fizeram faltar o chão e o ar para respirar, com as vistas turvas e semi avermelhadas com o próprio sangue, escutara ao fundo de seu terror algo que lhe remetera a suas origens, suas condições e seu saldo bancário.
Fora morto ali mais um “homem”, mais um grande amor ou grande compositor.. talvez um pai de família ou aquela estrela que iria nos fazer vivos.
Em meio a lobos não deveria existir o talvez, não se escapa da queda em um precipício. A vida dá todos essas as possibilidades, menos ou mais numerosas, o que depende no inicio de tudo a grosso modo é a classe social, não é passivo de compreensão ao cegos o que as cores representam, tão pouco aos poucos necessitados o quanto a pobreza pode marcar alguém. Eles tratam pessoas como números, sorriem e esquecem, ele nunca seria algum dos preferidos daquele lugar, ele seria no máximo o pobrezinho aceito por aqueles que conduzem isso tudo com mão molhadas na hipocrisia.
O destino está traçado, e é o pulsar de um coração capaz de contrariar a física, a translação, a rotação, o caralho a quatro... a capacidade de manchar o pálido dos rostos impecáveis com o roxo da dor, daquela mesma dor que a pobreza o fizeram sentir ao longo da vida.

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